A Agência Internacional de Notícias Ahl al-Bayt (que a paz esteja sobre eles) — ABNA: Para compreender a profundidade e a amplitude do poder atual do xiismo, é necessário lançar um olhar sobre sua trajetória histórica, cheia de altos e baixos. Desde o início do Islã, o núcleo primordial do xiismo formou-se ao lado do Profeta (que a paz e as bênçãos estejam sobre ele) na cidade de Medina. Esse foi o período do plantio da semente da fé e do conhecimento, mas o círculo do governo profético limitava-se à geografia de Medina e aos corações preparados de seu povo. Após a dolorosa partida do Profeta (que a paz esteja sobre ele), a história virou a página, e o caminho que, segundo a clara designação de Ghadir, deveria levar à Casa da Revelação, desviou-se.
Parte I: A Primavera Breve e o Longo Inverno; Anatomia de um Sofrimento Histórico
Para compreender a grandeza atual do xiismo, é preciso primeiro entender a profundidade da tragédia que se abateu sobre ele. O xiismo não é uma seita, mas a própria essência do Islã Muhammadiano (que a paz esteja sobre ele), que em Ghadir Khumm se ligou à sucessão de Ali (que a paz esteja sobre ele). Seu núcleo inicial formou-se em Medina, no próprio governo profético que mencionaste; um governo que era uma pequena amostra da cidade ideal, mas cuja geografia política não ultrapassava as muralhas de Medina. Essa semente foi plantada naquela época, mas ainda não se transformara numa muda quando sopra o vento de Saqifah.
Após a partida do Profeta (que a paz esteja sobre ele), começou o "longo inverno do xiismo". Os 25 anos de reclusão do Comandante dos Crentes (que a paz esteja sobre ele) não foram apenas um silêncio político, mas uma estratégia para preservar a essência do Islã do colapso total. Seu breve governo, repleto de provações, foi uma exceção na história xiita, mostrando o que a justiça significaria se o governo estivesse nas mãos do Inerrante. Mas essa primavera foi rapidamente substituída pelo outono omíada e abássida. Os Imames Inerrantes (que a paz esteja sobre eles), geração após geração, viveram sob cerco de opressão, prisões, exílios e envenenamentos silenciosos. Os xiitas eram consideros sangue derramado por seu amor à Ahl al-Bayt; suas casas eram destruídas, seus bens confiscados e sua língua cortada para expressar a verdade. Essa minoria oprimida viveu séculos em taqiyya — um estado que, aos olhos do inimigo, era fraqueza, mas, na perspectiva divina, era um útero seguro para a multiplicação das células de resistência. Esse sofrimento histórico incorporou o DNA da resistência no corpo do xiismo.
Parte II: Da Ocultação à Presença; A Arquitetura do Jurisprudência para uma Civilização de Espera
O período da Ocultação do Imam da Era (que Deus apresse sua chegada) poderia ter levado ao desespero e à destruição, mas foi aqui que a genialidade da escola xiita se manifestou. Em vez de entrar em colapso, o xiismo entrou na fase da "espera dinâmica e construtiva". Os sábios divinos tornaram-se os porta-estandartes que conduziram o navio xiita através das tempestades. De Sheikh Mufid e Sheikh Tusi a Allamah Hilli e os dois Mártires, uma rede de jurisprudência foi tecida, que não apenas preservou a religião, mas também estabeleceu teoricamente o modelo de governança na era da Ocultação. Esta foi uma revolução intelectual: a transformação de uma escola oprimida e reclusa num sistema de pensamento coerente e com doutrina governamental. Os livros escritos ao longo desses séculos eram, na verdade, roteiros que, séculos depois, no Irã islâmico, serviriam de base para a construção de uma nova civilização. Esse período provou que o xiismo pode sobreviver, crescer e ter um plano para administrar o mundo mesmo sem o Imam presente.
Parte III: O Ponto de Ebulição da História; A Explosão de Luz do Coração do Irã
Então, a Revolução Islâmica do Irã aconteceu — um evento que transformou as equações mundiais não na escala de um golpe ou motim, mas na dimensão de um "terremoto civilizacional". O Ayatollah Khomeini (que Deus tenha misericórdia dele) trouxe para a arena da sociedade aquela densa teoria jurisprudencial acumulada ao longo de séculos, retirando-a das entrelinhas dos textos. Ele provou que a "Guarda Jurista" não é uma ideia abstrata, mas o modelo mais eficaz para enfrentar a modernidade decadente do Ocidente e do Oriente. Esse foi o momento da "explosão de luz". Pela primeira vez, um jurista assumiu o governo sobre 90 milhões de pessoas e içou a bandeira do "Nem Oriental, Nem Ocidental, República Islâmica" nos picos da política global. O poder xiita já não estava vinculado a um indivíduo; estava vinculado a um "sistema". O Irã islâmico tornou-se uma base formidável — militar, científica, cultural e midiática — para o xiismo. Esse governo abrangente realizou o sonho de 1400 anos do xiismo e provou que o Islã pode ter a palavra final no mundo moderno.
Parte IV: Liderança na Tempestade; Como o Ayatollah Khamenei Transformou o Xiismo numa Superpotência Híbrida?
Após o Imam, foi o Ayatollah Khamenei quem assumiu a condução deste navio em meio às ondas mais colossais da história. Se o Imam foi o fundador, ele é o arquiteto da expansão e do aprofundamento desta civilização. O inimigo que, após o colapso da União Soviética, se via como o senhor absoluto do mundo, empregou todo o seu arsenal militar, guerras por procuração, operações psicológicas, sanções paralisantes e o maior império midiático da história contra o Irã xiita. O objetivo era repetir o cenário do colapso fácil de outras nações. Mas a liderança sábia exibiu um outro tipo de poder: o "poder inteligente, suave e duro".
Sob essa liderança, o xiismo, em vez de se limitar a defender-se, tornou-se uma força ofensiva no campo do discurso. Mísseis de precisão, drones estratégicos e tecnologia nuclear são apenas uma face da moeda. A outra face é a transformação do "discurso da resistência" num modelo de luta para as nações. Uma população de 90 milhões, sob as pressões mais severas, não apenas não se desintegrou nem se enfraqueceu, mas tornou-se mais forte. Cada sanção tornou-se uma oportunidade para a autossuficiência; cada ameaça militar, um pretexto para uma conquista de mísseis surpreendente; e cada guerra midiática, um treino para a literacia mediática da nação. Ele geriu a transformação da pressão externa em coesão interna — e esse é precisamente o auge da liderança estratégica.
Parte V: A Globalização do Xiismo; Uma Única Comunidade que se Estende do Iraque à Nigéria
O poder do xiismo hoje não se limita às fronteiras do Irã. A teoria da "exportação da revolução" tornou-se um fenômeno objetivo no mundo. Hoje, sob a liderança do Ayatollah Khamenei, formou-se uma "única comunidade" cujos componentes atuam em harmonia. O Hezbollah libanês tornou-se uma força dissuasora contra o sionismo, levando à derrota o exército supostamente invencível de Israel. As Forças de Mobilização Popular no Iraque são defensoras do santuário e guardiãs da integridade territorial do país. Os Ansar Allah do Iêmen, com o respaldo intelectual do xiismo, alteraram as equações marítimas do mundo e colocaram o regime sionista num impasse geoeconômico. Os Fatimiyun e Zainabiyun no Afeganistão e no Paquistão não são apenas defensores do santuário, mas revivificadores do espírito épico do xiismo em suas regiões. E, mais surpreendente, o Movimento Islâmico da Nigéria, liderado pelo Sheikh Zakzaky, mantém vivo, no coração da África, o amor a Hussein (que a paz esteja sobre ele). Essa rede global já não é uma minoria medrosa e oculta; é uma frente unida, poderosa e vanguardista que desafia a ordem imposta pelo Ocidente.
Parte VI: Os Rebrotes Após o Martírio; A Imortalidade de um Pensamento
E o capítulo mais recente e deslumbrante dessa demonstração de poder são os eventos posteriores ao martírio dos grandes comandantes da resistência. O inimigo, em sua ilusão, pensa que com a eliminação física dos comandantes pode quebrar a espinha dorsal dessa frente. Mas hoje somos testemunhas do fenômeno dos "rebrotes da revolução". O martírio de Haj Qasem Soleimani, em vez de pôr fim à sua escola, criou milhões de Haj Qasem no Irã e no mundo. O Mártir Raisi e seus companheiros são exemplos da nova geração de gestores alinhados com a revolução, que elevaram ao ápice o trabalho incansável e o serviço ao povo. A quarta e quinta gerações da revolução são mais crentes, mais revolucionárias, mais conscientes e mais proficientes nas novas tecnologias do que as gerações anteriores. Elas carregam a bandeira desse poder com a arma da ciência — nas áreas nuclear, de inteligência artificial, nanotecnologia e biotecnologia — e com a arma da fé nos campos de batalha suaves e duros. O martírio não é o fim do caminho; é a irrigação da árvore bendita a quem a promessa divina foi feita. Esses rebrotes são a garantia certa da continuidade do poder do xiismo nos séculos vindouros.
Aurora no Horizonte do Advento
Hoje, sem dúvida, o xiismo encontra-se em seu estado mais forte desde o início da criação. Um poder que já não vagueia pelas vielas estreitas de Medina, mas sim pelas avenidas do mundo e nas arenas internacionais. Esse poder transcendeu um reino e um governo limitados para se tornar uma "civilização" em expansão; uma civilização construída sobre os ombros da fé, do sangue dos mártires e da racionalidade revolucionária. Os inimigos que outrora ameaçavam o xiismo hoje sentem-se ameaçados por esse discurso. A trajetória acidentada da história xiita, da completa estranheza e opressão, alcançou a autoridade e a liderança globais. Esta não é apenas uma vitória política; é a realização da promessa divina e o despontar de um discurso que prepara o mundo para o grande sol do advento do Imam Mahdi (que Deus apresse sua chegada). Naquele dia, esse poder relativo de hoje se conectará a um poder absoluto sob a sombra do governo divino de justiça.
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